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Tempo médio: 10-15 minNível técnico: Intermediário

Procedimento Básico de Diagnóstico em Campo

Procedimento Operacional Padrão (POP) para atendimento presencial de clientes com reclamação de falta de acesso ou instabilidade na Internet.

Objetivo

Padronizar o atendimento em campo, garantindo que o técnico siga uma sequência lógica de verificações antes de substituir equipamentos ou concluir o diagnóstico.
A execução correta deste procedimento reduz o tempo de atendimento, evita trocas desnecessárias de equipamentos e aumenta a assertividade na identificação da causa da falha.

Quando utilizar

Este procedimento deve ser aplicado sempre que o técnico for deslocado para atender situações como:
  • Cliente sem acesso à Internet;
  • Internet lenta;
  • Quedas frequentes;
  • Oscilações de conexão;
  • Equipamentos sem comunicação;
  • Chamados reabertos após atendimento remoto.

Fluxo Geral de Atendimento

Chegada ao local
        │
        ▼
Entender o problema relatado
        │
        ▼
Inspeção visual
        │
        ▼
Verificação física
        │
        ▼
Verificação da rede local
        │
        ▼
Testes de comunicação
        │
        ▼
Identificação da causa
        │
        ▼
Correção
        │
        ▼
Validação junto ao cliente
        │
        ▼
Registro do atendimento

Etapa 1 — Conversar com o cliente

Antes de tocar em qualquer equipamento, converse rapidamente com o cliente.
Procure entender:
  • Quando o problema começou;
  • Se acontece o tempo todo ou apenas em determinados horários;
  • Se afeta todos os dispositivos;
  • Se houve queda de energia recentemente;
  • Se alguém alterou cabos ou equipamentos;
  • Se existe algum equipamento novo conectado na rede.

Objetivo

Evitar iniciar o diagnóstico com hipóteses incorretas.
Muitas vezes o relato do cliente já fornece informações importantes para direcionar o atendimento.

Etapa 2 — Inspeção Visual

Realize uma inspeção completa do ambiente.
Verifique:
  • Fonte da ONU ligada;
  • Fonte do roteador ligada;
  • LEDs acesos;
  • Cabos de rede conectados;
  • Conector óptico corretamente encaixado;
  • Dobras excessivas na fibra;
  • Cabos danificados;
  • Oxidação;
  • Sinais de aquecimento;
  • Equipamentos molhados;
  • Fontes inadequadas.

Objetivo

Identificar problemas simples antes de iniciar testes de rede.
Grande parte dos atendimentos é resolvida nesta etapa.

Etapa 3 — Verificação Física

Caso não seja encontrada nenhuma anormalidade visual, confirme:
  • tensão da fonte;
  • consumo excessivo;
  • conectores RJ45;
  • conectores ópticos;
  • qualidade da crimpagem;
  • presença de rompimentos;
  • estado da caixa de emenda;
  • conectores frouxos.
Caso necessário, realize limpeza do conector óptico utilizando procedimento adequado.

Etapa 4 — Verificar os LEDs

Cada fabricante possui uma indicação própria, porém normalmente deve-se observar:

ONU

  • Power
  • PON
  • LOS
  • LAN

Roteador

  • Power
  • WAN
  • Internet
  • Wi-Fi
  • LAN
Anote qualquer comportamento fora do padrão.
Exemplos:
  • LOS piscando;
  • PON apagado;
  • WAN apagada;
  • Internet vermelha.
Essas informações ajudam a reduzir significativamente o tempo de diagnóstico.

Etapa 5 — Verificar a Rede Local

Antes de concluir que o problema está na Internet, confirme se a rede interna está funcionando.
Verifique:
  • Computador recebe IP;
  • Celular conecta ao Wi-Fi;
  • Dispositivos comunicam entre si;
  • Gateway responde ao Ping.
Caso a rede local esteja inoperante, o problema pode estar apenas no roteador.

Etapa 6 — Testes de Comunicação

Após confirmar que a instalação física está correta, execute os testes de rede.

1. Ping para o roteador

Confirma comunicação local.

2. Ping para a ONU

Quando aplicável.

3. Ping para Internet

ping 8.8.8.8
Verifica conectividade.

4. Ping para domínio

ping registro.br
Verifica DNS.

5. Traceroute

Quando necessário.
tracert 8.8.8.8
ou
tracert registro.br

Etapa 7 — Identificar a Origem da Falha

Após os testes, procure classificar o problema.

Instalação interna

Exemplos:
  • cabo rompido;
  • conector ruim;
  • fonte defeituosa;
  • roteador travado.

Equipamento do provedor

Exemplos:
  • ONU sem autenticação;
  • ONU defeituosa;
  • baixa potência óptica.

Rede do provedor

Exemplos:
  • rompimento;
  • porta da OLT;
  • autenticação;
  • Radius;
  • VLAN;
  • DHCP.

Internet

Exemplos:
  • perda de rota;
  • DNS;
  • trânsito IP;
  • indisponibilidade externa.

Etapa 8 — Correção

Realize somente as ações necessárias.
Exemplos:
  • substituir fonte;
  • substituir cabo;
  • recrimpar conectores;
  • limpar conector óptico;
  • reiniciar equipamento;
  • reconfigurar roteador;
  • substituir ONU;
  • abrir chamado para equipe responsável.
Evite substituir equipamentos sem evidências técnicas.

Etapa 9 — Validação

Após concluir o reparo:
  • repetir os testes de comunicação;
  • confirmar acesso à Internet;
  • confirmar navegação;
  • verificar velocidade (quando aplicável);
  • solicitar ao cliente que utilize os serviços normalmente.
O atendimento somente deve ser encerrado após a validação junto ao cliente.

Etapa 10 — Registro do Atendimento

Registrar obrigatoriamente:
  • problema relatado;
  • causa encontrada;
  • testes executados;
  • evidências coletadas;
  • peças substituídas;
  • configurações alteradas;
  • potência óptica (quando aplicável);
  • resultado final.
Um registro completo reduz retrabalho e facilita futuros atendimentos.

Boas Práticas

  • Nunca substitua equipamentos por tentativa.
  • Sempre inicie pela inspeção física.
  • Faça uma alteração por vez.
  • Teste após cada intervenção.
  • Explique ao cliente o problema encontrado e a solução aplicada.
  • Organize novamente os cabos antes de finalizar o atendimento.
  • Certifique-se de que todos os equipamentos ficaram energizados corretamente.

Erros Comuns

  • Reiniciar equipamentos sem identificar a causa.
  • Trocar ONU sem medir potência óptica.
  • Trocar roteador antes de testar a rede local.
  • Ignorar relatos do cliente.
  • Não registrar os testes realizados.
  • Encerrar o atendimento sem validação final.

Aprendizado Operacional

A maioria dos problemas de conectividade não exige equipamentos sofisticados para ser identificada.
Seguir uma sequência lógica de diagnóstico permite localizar rapidamente a origem da falha, reduz o tempo de atendimento, evita substituições desnecessárias e aumenta a confiabilidade do suporte técnico.
Um bom diagnóstico é resultado de método, não de tentativa e erro.

Método RMEvolution de validação

Use a sequência abaixo para transformar sintoma em decisão operacional:
  • Evidência observada: registre o fato bruto, com print, foto, log ou medição.
  • Hipótese levantada: descreva a causa provável que será testada.
  • Teste executado: informe ferramenta, condição do teste e valor esperado.
  • Resultado obtido: registre o valor medido, resposta do sistema ou comportamento observado.
  • Hipótese descartada ou confirmada: explique o motivo técnico da decisão.
  • Conclusão operacional: defina correção, orientação, monitoramento ou escalonamento.
  • Nível de confiança: use baixo, médio ou alto conforme a qualidade das evidências.
Quando não houver evidência suficiente, não encerre o diagnóstico como confirmado. Registre a pendência e escale com contexto.